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LEOPOLDO MACHADO

OBRAS PUBLICADAS

Poesias: Meus Últimos Versos; Idéias, Iluminação e Guerra ao Farisaismo.


Contos: Prosa de Caliban, Consciência, Para a Frente e Para o Alto e Para o Alto.


IMPRESSO EM 1934


Viagens: Ide e Pregai, Caravana da Fraternidade.


Teatro: Teatro Espiritualista, Teatro Espiritualista II, Teatro da Mocidade.


Polêmica: Julga o Leitor por Ti Mesmo; Sensacional Polêmica, Pigmeus Contra Gigantes.

Réplica do reverendo Jacob Slater ao professor LeopoldoMachado.

Ele prontamente colocou o exemplar em sua biblioteca e cadastrou-o
como se vê.

O professor utilizava a tribuna do Fé, Esperança e Caridade e o padre João Müsch era o pároco da igreja de Santo Antônio de Jacutinga e havia fundado o Instituto Santo Antônio, I E S A, nos porões da Igreja, em mil novecentos e trinta e cinco por conta do diretor da única escola da comunidade ser espírita, só não se lembrava o pároco que o Colégio Leopoldo não era, e não é, uma escola religiosa e nela nunca se pregou qualquer religião, a não ser o respeito total aos mais diferentes credos. Por conta destas diferenças ideológicas o pároco chegou a notificar o bispo do Rio de Janeiro por carta:

Estas diferenças provocaram um debate na Associação Atlética Filhos de Iguassú, mediado pelo farmacêutico Sebastião Herculano de Mattos, com crônica de José Carlos Manhães para a revista Semana Ilustrada. Este debate, Sensacional Polêmica, estamos transcrevendo:

"À Margem da História.

Encontrara todas as igrejas em ruínas, algumas parcialmente desmoronadas. Dividia o padre João a jornada em sermões e sacramentos e pá de pedreiro iniciando a restauração de todos os templos a um só tempo. Obra de gigante que esse cura já velho não chegou a ver terminada. Empunhando numa das mãos o missal e na outra o "livro de ouro", sem auxiliares, pois era o único padre da freguezia, pastoreou muito tempo seus fiéis sem contestação.

Um dia surgiu-lhe um adversário, porque o destino de todo D.Camilo é ter um Pepone pela proa. Este veio na pessoa de um baiano culto, professor de letras e eloqüente como soem ser os baianos, professor Leopoldo Machado.

Cerimoniosamente, a princípio, um no púlpito, outro na tribuna, tomaram as posições e começou em Nova Iguaçu a luta entre igreja católica e espiritismo. São Pedro e Kardec. Daí por diante, disputariam, aquele as almas e este os espíritos. É claro que a população, como de uso, logo se viu em dois grupos, maior o do padre, mas, se menor o do professor era mais culto, seleto, chamado à religião de ciência.

Ambos citavam os evangelhos, encontrando testemunhos.

Os partidos da reencarnação, além do livro santo (A Bíblia), diziam-se baseados em Flamarion, Leon Denis, Williams CrooKes, Gabriel Delane, A. Conan Doyle. Leopoldo Machado fundou um colégio com o próprio nome. Padre João, fundou outro que entregou a freiras, hoje modelar, ainda existente, denominado Colégio Santo Antônio e uma obra de Caridade. O professor inicia a obra filantrópica Lar de Jesus, um primor de instituição caritativa, a qual posteriormente legaria todos os seus haveres e o próprio colégio.

João reconstrói a matriz de Santo Antônio de Jacutinga, o templo principal, Leopoldo ergue e inaugura, em sobradão, o Centro Espírita Fé ,Esperança e Caridade. O Espiritismo do orador baiano que a princípio pareceu ao sacerdote dos sem maior importância deitara raízes e o padre que nunca se preocupara em erradicar a macumba, o Candomblé, a Umbanda - crendice de pretos - via-se nessa altura com um antagonista perigoso e o que era pior alardeando lógica, doutrina e ciência, no mais escorreito português e afinada eleqüência.

Leopoldo era um batuta para se comunicar. Adversário sem dúvida para um padre Vieira. Enquanto o reverendo anamatizava com o assustador fogaréu das caldeiras de belzebú, àqueles que seguissem Rustaing, o professor descrevia aos incrédulos, as duríssimas provas de reencarnações obrigatoriamente sucessivas, para os que fechassem os olhos e os ouvidos à nova revelação.

Da rua Marechal Floriano Peixoto até o Centro Espírita, à rua Bernardino de Mello, ia-se a pé em dez minutos, atravessando a estrada de ferro Central do Brasil cancelada em frente ao bar Brasil, do Pascoal Testa, mas, o que o padre falava no púlpito chegava à tribuna do centro com a velocidade da luz , e vice-versa. A coisa em pouco tornou-se um diálogo e difícil de suportar para o padre, quando advertido sobre a excelente capacidade de comunicação do professor, sentiu um estalo e viu surgir a idéia luminosa e salvadora. Fazer vi a Nova Iguaçu um príncipe da palavra e dos mistérios canônicos para medir-se de público e arrazar com o perigoso adversário. Se pensou rápido executou ( com a anuência do bispado), fazendo aportar à terra um astro de oratória eclesiástica.

O recém vindo era holandês, mas falava muito bem o português. Depois de dois ou três sermões preparatórios, foi lançado o desafio. Convém lembrar que a frequência aos sermões aumentara, como também a assistência do centro, é que já não se podia esperar acompanhar os lances oratórios por informações de terceiros, eivadas de proselitismo e os próprios partidários de um e de outro, passaram a frequentar os dois locais, a reza com sermão logo após a Ave Maria (18 horas) e a sessão espírita (20 horas). Ovia-se a pergunta e a resposta, a invetiva e os contra argumentos no mesmo dia, caminhando apenas cerca de mil metros.

Encontrara todas as igrejas em ruínas, algumas parcialmente desmoronadas. Dividia o padre João a jornada em sermões e sacramentos e pá de pedreiro iniciando a restauração de todos os templos a um só tempo. Obra de gigante que esse cura já velho não chegou a ver terminada. Empunhando numa das mãos o missal e na outra o "livro de ouro", sem auxiliares, pois era o único padre da freguezia, pastoreou muito tempo seus fiéis sem contestação.

Um dia surgiu-lhe um adversário, porque o destino de todo D.Camilo é ter um Pepone pela proa. Este veio na pessoa de um baiano culto, professor de letras e eloqüente como soem ser os baianos, professor Leopoldo Machado.

Cerimoniosamente, a princípio, um no púlpito, outro na tribuna, tomaram as posições e começou em Nova Iguaçu a luta entre igreja católica e espiritismo. São Pedro e Kardec. Daí por diante, disputariam, aquele as almas e este os espíritos. É claro que a população, como de uso, logo se viu em dois grupos, maior o do padre, mas, se menor o do professor era mais culto, seleto, chamado à religião de ciência.

Ambos citavam os evangelhos, encontrando testemunhos.

Os partidos da reencarnação, além do livro santo(A Bíblia), diziam-se baseados em Flamarion, Leon Denis, Williams CrooKes, Gabriel Delane, A. Conan Doyle. Leopoldo Machado fundou um colégio com o próprio nome. Padre João, fundou outro que entregou a freiras, hoje modelar, ainda existente, denominado Colégio Santo Antônio e uma obra de Caridade. O professor inicia a obra filantrópica Lar de Jesus, um primor de instituição caritativa, a qual posteriormente legaria todos os seus haveres e o próprio colégio.

João reconstrói a matriz de Santo Antônio de Jacutinga, o templo principal, Leopoldo ergue e inaugura, em sobradão, o Centro Espírita Fé ,Esperança e Caridade. O Espiritismo do orador baiano que a princípio pareceu ao sacerdote dos sem maior importância deitara raízes e o padre que nunca se preocupara em erradicar a macumba, o Candomblé, a Umbanda - crendice de pretos - via-se nessa altura com um antagonista perigoso e o que era pior alardeando lógica, doutrina e ciência, no mais escorreito português e afinada eleqüência.

Leopoldo era um batuta para se comunicar. Adversário sem dúvida para um padre Vieira. Enquanto o reverendo anamatizava com o assustador fogaréu das caldeiras de belzebú, àqueles que seguissem Rustaing, o professor descrevia aos incrédulos, as duríssimas provas de reencarnações obrigatoriamente sucessivas, para os que fechassem os olhos e os ouvidos à nova revelação.

Da rua Marechal Floriano Peixoto até o Centro Espírita, à rua Bernardino de Mello, ia-se a pé em dez minutos, atravessando a estrada de ferro Central do Brasil cancelada em frente ao bar Brasil, do Pascoal Testa, mas, o que o padre falava no púlpito chegava à tribuna do centro com a velocidade da luz , e vice-versa. A coisa em pouco tornou-se um diálogo e difícil de suportar para o padre, quando advertido sobre a excelente capacidade de comunicação do professor, sentiu um estalo e viu surgir a idéia luminosa e salvadora. Fazer vi a Nova Iguaçu um príncipe da palavra e dos mistérios canônicos para medir-se de público e arrazar com o perigoso adversário. Se pensou rápido executou ( com a anuência do bispado), fazendo aportar à terra um astro de oratória eclesiástica.

O recém vindo era holandês, mas falava muito bem o português. Depois de dois ou três sermões preparatórios, foi lançado o desafio. Convém lembrar que a frequência aos sermões aumentara, como também a assistência do centro, é que já não se podia esperar acompanhar os lances oratórios por informações de terceiros, eivadas de proselitismo e os próprios partidários de um e de outro, passaram a frequentar os dois locais, a reza com sermão logo após a Ave Maria (18 horas) e a sessão espírita (20 horas). Ovia-se a pergunta e a resposta, a invetiva e os contra argumentos no mesmo dia, caminhando apenas cerca de mil metros."

Havia gente já confusa, jantando mais cedo, para acender uma vela à Deus e outra ao diabo. Também a cousa já descambara para o terreno econômico, pois a maioria, querendo se situar bem na vida eterna passara a assinar e contribuir nas listas de reconstrução das igrejas e nas da caridade espírita. Já não se sabia mesmo quem fizera mais prosélitos e era melhor acolhido, se a figura humilde, ignorante, mas virtuosa do padre, ou com o brilho fulgurante da oratória, em português castiço, com bases modernas e científicas do professor. Argumentavam confundindo todo o mundo os formidáveis pregadores.

A igreja sempre teve imprensa própria, Guttenberg imprimiu primeiro a bíblia católica e houve farta distribuição de panfletos e jornais, santinhos, aos fiéis na Igreja, mas o mestre espírita, além do dom da palavra tinha o da escrita e produziu obra de folego, versos, contos, romances e peças teatrais que encenava. Lançado o desafio, o espiritista não pegou logo a luva. Oito dias de suspensa, enquanto os mais desencontrados boatos eram espalhados e a guerra de nervos terminou no entretanto com a aceitação e a escolha dos padrinhos (responsáveis pelo boa ordem) de lado a lado e, o que era mais importante, a escolha do campo da luta. O local da batalha veio a ser, depois de muita querela, em ponto equidistante da Igreja ao Centro. Foi escolhido o salão do S. C. Filhos de Iguaçu, exatamente no meio do caminho que percorreriam desafiante e desafiado, um sobrado de esquina das ruas Getúlio Vargas e Bernardino de Melo. A expectativa tornou o ar pesado, a própria política foi esquecida, sendo Getúlio de Moura e Mário Guimarães relegados ao segundo plano, como se não existissem mais os irreconciliáveis partidos Progressista e Radical. Novenas foram rezadas às pressas em intenção do padre, enquanto no outro arraial pedia-se a proteção e assistência dos "espíritos de luz". Padre João um belo dia teve que com seus mais eficientes exorcismos retirar dos degraus da matriz um caprichado "ebó" com que a umbanda local se permitiu contribuir. A cidade parou na previsão anciosa. O padre holandês era bom orador, bom mesmo e vinha com a experiência de outros prelios, e Leopoldo, baiano astuto, culto e eloquente não valia menos.

O DIA "D"

Chegou o dia "D", estando presentes no S.C. Iguaçu, tanto a nata como a pérrapagem da terra. O padre chegou primeiro, claro,loiro, alto, gordo, entrou e se instalou na cadeira de braços ao lado de Sebastião Herculano de Mattos, que presidiria os trabalhos. Leopoldo, pequeno, magro, cabeça grande, moreno, cabeludo, entrou logo depois e foi ocupar a cadeira à esquerda da presidência. Estava gripado, um enorme cachecol de lã quadriculada envolvia-lhe o pescoço. Sebastião Herculano apresentou os contendores, salientando-lhes os títulos e explicando o motivo da reunião, frizando bem, repetidas vezes, que num país leigo a discussão de tão transcendente assunto deveria correr nos planos superiores da tolerância e que havia um denominador comum, pois, no fundo, todos os presentes eram cristãos.

Perspicaz, culto, Mattos fora escolhido para presidir por causa de sua prática de assembleas, era vereador, presidente da Associação de Agricultores e já, muitas vezes, defendera réus na tribuna do juri (que na época era permitido a não formados em direito), mas sobretudo por ser o farmacêutico, profissão que distingue a personagem multifacetado de grande atuação e muito respeitado nas antigas vilas.

Apresentados os gladiadores, sorridentes, amáveis, via-se contudo a assustadora tensão da assistência. Não se misturaram católicos e espíritas, separaram-se, embora o salão comportasse apertadamente e o todo estivesse aglutinado.

Corria no ar um zumzum resmungado, quase rosnante de mau prenuncio que só cessou quando tomou a palavra o padre. Ouviu-se uma magnífica peça oratória. Falou mais a Maurício de Lacerda que a Vieira. Após os cumprimentos ás personagens presentes, especialmente ás damas, tomou o fio da meada com Adão e Eva: Inúmeras foram as citações a partir da era de Cristo, nos 1900 anos da igreja. Atacou de rijo as manifestações espíritas chamando as de farsas e auto sugestão. Chamou a depor todos os apóstolos e os grandes filósofos da igreja. A Companhia de Jesus (sem a Inquisição) esteve dessa vez no banco das testemunhas.

Especialmente bombardeou a reincarnação mostrando com argumentos irretoquíveis que após a morte a alma não tem outra opção senão o inferno, o purgatório e para poucos bem aventurados, o céu.

Foi mordaz, satírico, apostrofando aqueles que não lhe fizessem o catecismo. Falou uma hora e meia olhando de vem em quando para o Padre João que com gestos animava os aplausos da assistência nas passagens mais vigorosamente arrazoadas do discurso.

Padre João, os olhos encadeados no Holandes não dava conta de que seu exemplo de vida desprendida e incançável energia para o trabalho, representava alicerce maior para a Igreja que a eloquente elegância do orador, a reunir fiéis. A metade da assistência saudou de pé as últimas palavras de cura, enquanto a outra metade se abstinha.

Todos suavam, o padre já bebera cerca de dez copos de água quando foi dada a palavra ao professor Leopoldo que se levantou e por ser pequena estatura fê-lo sobre um banquete para ficar mais alto.

Não tirou o cachecol e estava um pouco rouco. Recusou o copo de água que lhe foi oferecido, correu os olhos pela assistência, fez poucas saudações e após um "meus irmãos" produziu uma belíssima oração.

Embora rouco se expressava com nitidez, o sotaque baiano, acentuado e abrindo as vogais, permitia-lhe ser bem ouvido e melhor entendido. Suas citações antecederam ao nascimento de cristo pelo menos três mil anos. As religiões dos Sesmerianos, Babilónicos, Cretenses, Persas, Egípcios, Gregos, desfilaram. A Tora dos judeus, o velho testamento foi citado longamente com Abraão, Noé, Moisés e todos os seus profetas. Os essenios e (ainda não se tinha notícia dos papirus do mar morto) testemunharam. Do novo testamento extraiu abundante comprovação para a existência do espírito e da reincarnação.

Se Cristo perdeu suas atribuições divinas ganhou porém as glórias do espírito de maior luz do planeta. Não poupou a Igreja por suas lutas políticas para obter e manter pompas e proveitos materiais. A seguir mudou-se para o terreno da lógica e da matemática e provou aritmeticamente que a reincarnação não é só individual mas, também coletiva, em massa.

Estornou o verbo para a área científica e lá vieram Lavoisier, Laplace, Crooks e - finalmente Eistein depor perante a extasiada assistência as verdades do espiritismo. Nada ficou devendo ao padre, até superou-o pela graça da linguagem escorreita. Na verdade falou muito mais em menos tempo, usando da palavra apenas por uma hora.

Quando chegou ao "tenho dito" foi delirantemente aplaudido por aqueles que não bateram palmas para o sacerdote. Sentia-se na assembléia, desde logo, que fora brilhante o entrevero e que tivera a virtude de tornara os católicos mais católicos e os espíritas mais espíritas. Conversões, parece não houvera alguma.

Apesar do adentrado da hora o padre levantou-se para a réplica, que já era esperada, porque nessa época, a assistência da vila, sempre a mesma para tudo, estava habituada às sessões do Juri que duravam (falando a defesa e a acusação quantas vezes quisessem), três, quatro e mais horas, sem interrupção. A réplica do padre, porém, foi curta, forte, incisiva, quando disse:

- Meu caro professor, nós os católicos nos convertemos à sua dita verdade se o senhor fizer se materializar, aqui, agora, um espírito.

De imediato, Leopoldo se levantou e a tréplica foi lançada:

- Senhor padre, primeiro o senhor, nós os espíritas é que nos converteremos, se vossa reverência fizer, aqui, agora, um milagre.

A assistência, sob calor e tensão emocional pareceu explodir, tumultos começaram, quando o presidente, hábil e ligeiro deu a reunião por encerrada e algum diretor do clube mais interessado na integridade das cadeiras desligou o relógio da luz.


REPRODUÇÃO DA CRÔNICA A MARGEM DA HISTÓRIA

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